Neste mês estamos engajados na campanha para a valorização da vida, trazendo a tona um assunto que deve ser discutido e analisado tanto no contexto da vida pessoal como também profissional.

Neste artigo, apresentamos conceitos do tema e dados estatísticos mais relevantes em nossas pesquisas. Temos o dever de debater o tema para ajudar as pessoas que colorem o nosso país!

Como é entendido o suicídio?

Elaboramos a nossa identidade a partir de relações pessoais, sociais e profissionais e como nos auto-avaliamos em relação ao nosso contexto. Por isso, quando essas visões de identidade são disfuncionais, podem surgir adoecimentos, entre eles a depressão e o pensamento suicida, assim o cuidado com a saúde mental torna-se essencial.

Como nos sentimos afeta tanto a nossa vida privada, quanto profissional. O trabalho representa significados sócio-histórico importantes ao definir o nosso papel dentro da sociedade que ocupamos, como interagimos com o mundo e como as outras pessoas nos veem. 

Assim, o suicídio é um fenômeno complexo e que pode ter diversas determinações, não é simples defini-lo pois a leitura do mesmo é sistêmica. Ele envolve características de aspecto emocional, mental, social e econômica e podemos observar sua presença em todas as culturas e história humana. 

Importante lembrarmos que o indivíduo com ideação suicida é acometido de uma ambivalência de sentimentos, ele não quer morrer, mas quer terminar com a dor psíquica (ou físicas em casos médicos crônicos). Por isso, é necessário o amparo afetivo e psicológico para um tratamento eficaz. O suicídio pode ser prevenido, desde que seja tratado como um caso de saúde pública e haja investimentos em projetos de informação e prevenção. 

Por que temos que falar sobre suicídio?

Como o assunto é visto como um tabu e repleto de preconceitos, o sujeito é visto com estigmas, o que dificulta o pedido de ajuda ou de conversa. Logo, o assunto também costuma ser evitado.

Com o recente isolamento social causado pela pandemia, temos mais presente o sentimento de solidão, com diversas incertezas, excessos de informações, novos formatos de interação (videoconferências, redes sociais) que ameniza, mas não traz aquela sensação boa como é estar cara-a-cara, abraçar e ler o outro de maneira mais próxima. Então, estamos olhando mais para dentro de nós, identificando o que sentimos e é necessário essa abertura para falarmos sobre a nossa saúde mental e entendermos que não precisamos passar por isso sozinhos.

Dados da OMS

Como apaixonados por dados e estatística, buscamos compartilhar alguns dados sobre o tema. Emm síntese, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS):

  • “A cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio”
  • mais de 800 000 pessoas morrem cada ano por suicídio;
  • o suicídio é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos;
  • considera que apenas 60, dos 172 países membros, enviam dados de boa qualidade, na maioria, nações desenvolvidas;
  • estima-se que 28 países têm estratégias nacionais de prevenção de suicídio;
  • cerca de 75% dos suicídios ocorrem em países de renda média e baixa;
  • os homens de países ricos se suicidam três vezes mais que as mulheres;
  • em países de alta renda o maior índice de suicídio se diz a respeito do abuso de álcool e depressão;
  • 90% dos suicídios podem ser evitados;
  • no Brasil a média é de 6 a 7 mortes por 100 mil habitantes, o que é considerado baixo. Mas este não é um dado muito confiável, pois é preciso melhorar a qualidade dos dados em nosso país.

Inteligência artificial na prevenção ao suicídio

A inteligência artificial (IA) e o poder computacional são duas grandes inovações das últimas décadas. Juntas, essas tecnologias geram  impactos profundos na indústria, logística, sistemas de saúde.  De forma análoga, podem oferecer também a possibilidade de identificar padrões e tendências comportamentais suicidas, guiando as ações de prevenção.

Uma maneira de identificar esses padrões é pelas redes sociais, casos isolados de pessoas que manifestam seus sentimentos em postagens. Neste sentido, a implementação de algoritmos de inteligência artificial e técnicas de analytics podem viabilizar inferências precisas sobre indivíduos que precisam de auxílio. 

O diferencial da abordagem com IA é a capacidade de inferir (descobrir) o comportamento suicida a partir de um volume de dados e de usuários que nenhum humano poderia fazer e ainda ser capaz de gerar alertas de comportamentos em tempo hábil para salvar.  

Joni Hoppen – 2020

Existem muito mais possibilidades com novas tecnologias, com a união de tecnólogos, professores, psicólogos e demais profissionais. Tanto para incluir medidas preventivas e identificar possíveis suicídios, tanto promover um amparo por meio de uma rede de apoio.

Conclusões e recomendações

Desde as escolas até no meio corporativo, o sofrimento mental pode ser silencioso no nosso colega, vizinho ou parente. Por isso, a discussão sobre o assunto estimula a população e instituições a estabelecer estratégias e prevenções, isso inclui iniciativa pública, privada e social.

Para que as pessoas que estão com pensamentos suicidas não tenham vergonha ou medo de procurar um profissional é preciso acolhimento e informação. Por este motivo, é necessário acolher a dor delas, sem julgamentos e preconceitos, mostrando interesse e se dispor presente.

Um dos objetivos de intervenção é recuperar a autoestima, promover o bem-estar mental/emocional e estabelecer vínculos afetivos que possam servir de rede de apoio para o indivíduo e sua identidade.

No Brasil temos o Centro de Valorização da Vida (CVV), uma ONG que oferece serviço gratuito e voluntário, sob total sigilo, de apoio emocional e prevenção do suicídio via chat, telefone, Skype e email.

Esperamos ajudar vinculando informação e apoio. Caso queira receber nosso conteúdo exclusivo, siga nossa Newsletter aqui.

Informações adicionais:

Cartilha sobre suicídio que o conselho Federal de Medicina distribui gratuitamente: http://www.flip3d.com.br/web/pub/cfm/index9/?numero=14#page/1

O primeiro relatório sobre suicídio no mundo da OMS: http://www.who.int/mental_health/suicide-prevention/world_report_2014/en/