Já estamos acostumados a ter meses específicos para algo da saúde, como o Outubro Rosa, campanha que promove a conscientização sobre o câncer de mama; o Novembro Azul, voltado ao câncer de próstata; e o Dezembro Vermelho, mês dedicado à prevenção da AIDS. Sendo assim, neste mês não podemos deixar de falar de uma campanha muito importante, o Janeiro Branco, que propõe um debate e reflexão sobre Saúde Mental. Pensando nisso, convidamos algumas psicólogas para sanar dúvidas e até trazer alguns fatos e dicas interessantes. Confira no texto.

Saúde mental: vamos falar sobre isso?

Estamos acostumados a sermos bombardeados por informações e até ações publicitárias para cuidar do corpo, o que é lógico e muito importante. Porém, já dizia o poeta Juvenal, “Mens sana in corpore sano”, ou seja, “Mente sã, corpo são”. Assim, é fundamental olhar para o todo, o cuidado com a saúde mental como parte do cuidado da saúde física. 

Nunca tivemos tanta informação, tanto conhecimento à disposição, como hoje em dia. São inúmeros artigos, podcasts e vídeos abordando saúde mental, psicoterapia e afins. É só dar um Google. Mas você que está lendo isto e eu, que estou escrevendo, ainda somos uma parcela privilegiada com acesso à informação de qualidade. Ainda, há muitas pessoas com dúvidas sobre o que é psicoterapia, que ainda têm falsas crenças acerca de depressão, ansiedade e outros. Aqui, não pretendemos sanar todas essas dúvidas, mas trazer alguma informação do porquê ainda precisamos falar sobre saúde mental e também instigar a procura por mais conteúdos sobre o assunto.

Diferença entre Setembro Amarelo e Janeiro Branco

Na Aquarela, quando falamos sobre o Janeiro Branco, nos perguntaram: “Mas nós tivemos rodas de conversas e um projeto voltado para a saúde mental lá em setembro. O Setembro Amarelo é a mesma coisa?”. Então, o Setembro Amarelo é o mês de conscientização e prevenção ao suicídio, algo muito sério e que há muito pouco tempo tem seu próprio espaço para a discussão e orientações para a prevenção.  

O Janeiro Branco é o mês de debate e conscientização sobre a Saúde Mental. A campanha traz à luz tanto a pessoa que está passando por sofrimento psíquico, ao saber que existem diversas possibilidades de tratamento, quanto as pessoas que têm amigos, colegas ou familiares que estão passando por depressão ou ansiedade, e não sabem como lidar com elas ou como ajudá-las.

Falar de saúde mental é mais do que ausência de doenças mentais, é abranger a discussão para o bem-estar e qualidade de vida. É saber que temos nossas limitações, que é normal termos momentos menos produtivos e de sentimentos de tristeza.  

Saúde mental em tempo de pandemia

No último ano, vivenciamos momentos de angústias, incertezas e perdas, devido à pandemia do Coronavírus, que causou impactos em diferentes âmbitos. Isso afetou a saúde mental das pessoas, resultando em frequentes crises de ansiedade, sentimentos de tristeza e depressão.

O isolamento social contribuiu ainda para que os tratamentos psicológicos que já vinham sendo realizados fossem interrompidos devido à quarentena, ocasionando aumento nos índices dos transtornos mentais e demais sintomas recorrentes. Conforme o estudo realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) sobre o comportamento dos brasileiros durante o isolamento, os casos de depressão aumentaram 90% e o número de pessoas que relataram sintomas como crise de ansiedade e estresse agudo mais que dobrou entre os meses de março e abril de 2020.

Mesmo diante de todo este contexto, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) ressalta que nem todos os problemas psicológicos e sociais poderão ser qualificados como doenças. A maioria será classificada como reações normais diante de uma situação anormal. Sentimentos de impotência em relação aos acontecimentos, solidão, irritabilidade, angústia, tristeza e raiva são reações comuns a esse cenário de instabilidade.

Um conjunto de sentimentos que aumentou muito em tempos de pandemia é chamado de Cabin Fever (algo como febre de cabine), que é quando a pessoa fica isolada e experimenta sentimentos como irritação, inquietação e sensação de claustrofobia. Não é uma doença, mas envolve sentimentos que levam ao adoecimento e até decisões irracionais. Por isso, salientamos que é de suma importância estarmos atentos aos sintomas e aos comportamentos que possam caracterizar ou desencadear transtornos mentais, lembrando sempre que o cuidado com a saúde mental é primordial em qualquer momento.

Tecnologia e Saúde Mental

Muitos livros e filmes sobre IA e de um futuro distópico mostram a tecnologia como a vilã que provoca até o adoecimento mental dos seres humanos. Claro que se houver uma evolução tecnológica não pautada na ética, pode acontecer mesmo, mas isso é assunto para um outro artigo. Aqui, queremos mostrar que já existem muitos benefícios, ideias e projetos que estão dando qualidade de vida, oferecendo suporte e sendo ferramenta de tratamentos.

A primeira dela, e acho que a mais usada atualmente, é fazer psicoterapia online. Como falamos acima, a pandemia causou muito impacto na saúde mental da população, e quem teve oportunidade e recurso para fazer psicoterapia online, fez. Os profissionais da psicologia se adaptaram e as videochamadas tornaram-se grandes aliadas na continuidade e no começo de tratamentos psicológicos. Aumentou o número de plataformas que oferecem o serviço, tipo “classificados de psicoterapeutas”, em que você escolhe a especialização e horários conforme a sua demanda, disponibilidade e orçamento.

Além disso, para a manutenção do bem-estar, temos diversos aplicativos de celular que motivam e ajudam a manter hábitos saudáveis ou orientam a lidar com momentos ansiosos. Eles vão de guias de meditação, mindfulness, até auxílio em tarefas simples, como tomar banho, mas que pode ser algo penoso e difícil para pessoas com humor deprimido.

No ano passado, na Aquarela, criamos um projeto interno chamado Acolher, no qual um psicólogo do trabalho realizava grupos de conversa para falar sobre os sentimentos dos colaboradores acerca do isolamento social e do home office. Essa demanda surgiu depois de muitos relatos de colegas que sentiam muita falta do contato humano, dos nossos cafés da tarde e happy hour, interações que sempre foram muito divertidas por aqui, e que as videochamadas não conseguiram suprir.

O acesso à tecnologia e às ferramentas tecnológicas para o trabalho não significa necessariamente qualidade de trabalho, como trata o Sistema Sociotécnico, por isso é importante olharmos como um meio importante, mas sempre focando no grupo de pessoas.

Cuide-se

Concluímos por aqui, mas teríamos muito para escrever e discutir, pois temos uma complexidade enorme. Somos influenciados pelos nossos relacionamentos, pelo meio em que vivemos, pela situação política, por aspectos econômicos, pelas redes sociais. Tudo nos influencia o tempo todo, algumas vezes diretamente, outras indiretamente. Então, falar de saúde mental pode se tornar algo muito amplo. Nesse contexto, o Janeiro Branco traz a proposta de falar sobre o assunto como um todo. A campanha surge para nos auxiliar a identificar se precisamos de ajuda ou para apoiar uma pessoa próxima que esteja passando por um adoecimento psíquico.

A internet está cheia de bons conteúdos. Então, pesquise, tire todas as dúvidas e não tenha medo de procurar ajuda. Existem pessoas preparadas tecnicamente para te acolher e encaminhar para o tratamento adequado. Cuide-se.  

Quem é a Aquarela Analytics?

A Aquarela Analytics é pioneira e referência nacional na aplicação de Inteligência Artificial na indústria e em grandes empresas. Por meio da plataforma Vortx e da metodologia DCIM (Download e-book gratuito), atende clientes importantes, como: Embraer (aeroespacial), Grupo Randon (automotivo), Solar Br Coca-Cola (alimentício), Hospital das Clínicas (saúde), NTS-Brasil (óleo e gás), Votorantim (energia), dentre outros.

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