A pandemia impôs ao mundo novas formas de viver, dentre elas a necessidade do trabalho remoto, o que acabou pegando a todos de surpresa e ainda está demandando formas de adaptação. Os impactos são visíveis em diversos aspectos, dentre eles os ocasionados na saúde mental das pessoas. Dessa forma, precisamos refletir sobre isso e o mês do Setembro Amarelo mostrou-se a oportunidade perfeita.

Um novo modelo de trabalho

O home office vem dividindo opiniões, visto que as pessoas o estão vivenciando de formas diferentes. Enquanto muitos se adaptaram perfeitamente e temem a volta do trabalho presencial, outros não conseguiram se adequar ou gostariam de trabalhar de forma híbrida. Os que se adaptaram alegam que houve uma maior otimização do tempo, já que muitos sofriam com a locomoção até a empresa, fato comum em grandes centros urbanos, bem como um aumento da produtividade. Por outro lado, os que não se adaptaram argumentam que o modelo casa – escritório aumentou a carga de trabalho, dificultou o relacionamento e a comunicação com a equipe.

Ainda com relação aos que não se adaptaram com as rotinas do home office, podemos mencionar uma pesquisa realizada pelo Linkedin, a qual ouviu 2 mil pessoas e indica que 39% dos entrevistados sentem-se solitários, 30%  se queixaram de estresse ocasionado pela ausência de momentos de descontração junto aos colegas de trabalho, 20% relataram sentirem-se inseguros, pois o trabalho a distância dificulta para que obtenham notícias sobre os que está ocorrendo com a empresa e com a equipe, 24% queixaram-se de dificuldade em desligar-se do trabalho após o final do expediente e 18% apresentaram insegurança frente à possibilidade de perder o emprego. O medo da demissão colaborou para um aumento da neurose pela excelência, uma vez que cresceu a cobrança pelo alto desempenho.

Home office e saúde mental

Além de impactar a vida pessoal, a adoção do modelo home office trouxe um alerta para o cuidado com a nossa saúde mental e um questionamento: como estamos lidando, desde então, com a rotina de trabalho, casa, filhos? Afinal, tudo passou a concentrar-se em um só lugar. A casa, que antes era um local de descanso, tornou-se também ambiente de trabalho.  

O fato é que a pandemia associada ao home office impactou homens e mulheres. Isso que podemos observar a partir da pesquisa realizada pela Universidade do Sul da Califórnia, a qual constatou que a maioria das pessoas que migraram para o home office tiveram problemas de saúde devido à mudança. Cerca de 64% apresentaram problemas físicos, e 75%, mentais. Os resultados, publicados no Journal of Occupational and Environmental Medicine, mostraram que as jornadas aumentaram cerca de 1,5 hora por dia. A maior parte dos trabalhadores diminuiu a sua satisfação com o emprego e relatou aumento de dores físicas, especialmente no pescoço, depois que passou a trabalhar de casa. 

No que diz respeito às mulheres, os impactos foram ainda maiores, principalmente com relação às que são mães. Estas tiveram sua jornada triplicada, visto que estão tendo que conciliar trabalho, afazeres domésticos e cuidados com os filhos. No entanto, essa realidade já está melhorando com o avanço da vacinação e o retorno das aulas presenciais. Ainda sobre esse tema, uma pesquisa realizada pela USP (Universidade de São Paulo) demonstrou que, entre o público feminino e masculino que participou da pesquisa, as mulheres corresponderam a 40,5% dos sintomas de depressão, 34,9% de ansiedade e 37,3% de estresse. 

Como as empresas podem contribuir para amenizar tais impactos?

Diante dos aspectos levantados acerca dos impactos do home office na vida das pessoas, listamos algumas sugestões de como as empresas podem auxiliar nesse atual cenário.

  • A empresa pode proporcionar momentos de interação entre os colaboradores, no intuito de descontrair e estimular as interações sociais, ainda que seja de forma remota;
  • Disponibilizar todo o suporte de equipamentos para que o colaborador possa executar suas tarefas de forma ergonômica;
  • A área de People deve estar aberta, atenta e disponível para conversas sobre o home office, e sobre como os colaboradores estão se sentindo, de modo que seja possível viabilizar formas de suporte frente às demandas; 
  • No intuito de amenizar a ansiedade frente ao medo dos colaboradores em perder o emprego, a empresa deve adotar uma postura transparente, e com constantes feedbacks, a fim de que as expectativas de ambos os lados estejam alinhadas;
  • Com o objetivo de diminuir os impactos da sobrecarga, as empresas podem adotar uma postura que estimule o cumprimento de uma jornada de trabalho saudável e flexível.

O que nós, enquanto colaboradores, podemos fazer para suavizar os impactos do home office?

Claro que as empresas possuem um papel importante para amenizar os impactos do home office na saúde mental, porém é primordial que também exista um esforço por parte dos colaboradores para manter uma rotina de trabalho em que o início e o término da jornada respeitem o princípio de uma carga horária saudável. Destacamos aqui a importância de criar rituais e rotinas que tenham como objetivo distinguir o trabalho das demais atividades, já que este tomou o espaço do lar. Para auxiliar na divisão das tarefas, uma sugestão é separar um local em casa que sirva de escritório, criando assim maior delimitação de espaços. Caso seja possível, organize seu ambiente de trabalho de uma forma ergonômica, evitando possíveis dores e problemas futuros.

Outra sugestão importante é adotar a prática de atividades físicas regulares, sejam elas ao ar livre ou em academias, pois tais atividades contribuem com o bem-estar mental e proporcionam momentos de interação social. Ter uma alimentação balanceada e beber a quantidade adequada de água também são dicas valiosas, já que o trabalho remoto pode contribuir para a adoção de hábitos alimentares prejudiciais. 

A relação com o trabalho

O trabalho é uma das principais formas de interação com o mundo, por meio dele somos capazes de transformar o meio ao qual pertencemos e essa, além de outras, é uma capacidade que nos diferencia de outros animais. Sendo assim, precisamos ressignificar nossa relação com ele, de modo que carregue consigo aspectos prazerosos, e não de sofrimento.

Para ressignificar é preciso fazer o uso de processos regulatórios dos modos de pensar, sentir e agir em relação ao trabalho. Essa autorregulação pode ocorrer de forma automática (inconsciente) ou consciente, contribuindo para um maior bem-estar físico e emocional.  O ponto de partida para ela é a reflexão acerca de suas condições atuais de trabalho e, em seguida, identificar quais são os pontos que o estão incomodando. Ao refletir, utilizamos nossos recursos cognitivos, emocionais e comportamentais, além de compreender melhor a situação que estamos vivenciando, evitando que ocorra o adoecimento mental e o surgimento de sintomas. 

Leia também: Setembro Amarelo na visão da Aquarela Analytics

Impactos do home office na saúde mental – Considerações finais

O fato é que o home office veio para ficar. Desse modo, é preciso compreender que o trabalho remoto possui algumas particularidades que o modelo presencial não tem. Sendo assim, é importante reconhecer as nossas próprias limitações perante a essa condição. Nem sempre temos poder sobre tudo e pensar dessa forma é libertador, contribuindo para diminuir os níveis de ansiedade, fazendo com que a adaptação a essa nova realidade ocorra de forma mais leve. Além disso, pedir ajuda quando sentimos que tem algo de errado ou quando se sente sobrecarregado, é algo de grande valia, pois nem sempre conseguiremos lidar com tudo sozinhos e dividir o peso dos problemas com outras pessoas nos ajuda a viver com mais leveza. 

Cabe salientar a importância e a necessidade de sempre que possível buscar ajuda de um profissional da saúde mental, seja psiquiatra e/ou psicólogo. Lembre-se sempre: está tudo bem não dar conta sozinho, ainda mais no contexto em que estamos vivendo. Invista em você, vale a pena! Por fim, saúde mental é um tema que deve ser discutido não apenas neste mês, porém aproveitamos a visibilidade do Setembro Amarelo para provocar ainda mais essa reflexão.

E você, qual a sua opinião sobre o home office? Deixe o seu comentário.

Quem é a Aquarela Analytics?

A Aquarela Analytics é pioneira e referência nacional na aplicação de Inteligência Artificial na indústria e em grandes empresas. Por meio da plataforma Vortx e da metodologia DCIM (Download e-book gratuito), atende clientes importantes, como: Embraer (aeroespacial), Grupo Randon (automotivo), SolarBR Coca-Cola (alimentício), Hospital das Clínicas (saúde), NTS-Brasil (óleo e gás), Votorantim (energia), dentre outros.

Fique atento às novas publicações diárias da Aquarela Analytics no Linkedin e assinando a nossa Newsletter mensal! 

Autoras

Share via
Send this to a friend