As implicações da COVID-19 e o estabelecimento do Agro e Indústria 4.0

As implicações da COVID-19 e o estabelecimento do Agro e Indústria 4.0

Como os efeitos do Novo Coronavírus (Sars-Cov-2) em nossa sociedade influenciarão tecnologias como a IA, Impressão 3D, Teletrabalho Telemedicina, Fazendas e Fábricas Inteligentes?  E como essas tecnologias hoje estão ajudando a canalizar o poder da inteligência coletiva de toda a nossa espécie em direção a um mesmo propósito? Como elas evoluirão, e como isso mudará completamente a forma como trabalhamos, produzimos e vivemos? 

Este artigo discute algumas implicações já evidentes e outras ainda especulativas sobre o futuro. Convido você leitor a embarcar nesse exercício de imaginação, criação e preparação. 

Contextualização

“O conhecimento se dá na prática” essa frase não foi diretamente dita por Wittgenstein, filósofo austro-britânico, mas poderia facilmente ser inferida pela sua obra, que enfatiza que nossa capacidade de pensar e agir está intimamente conectada à capacidade de expressividade e de nossa linguagem.

Entendendo que a linguagem é fruto de nossa prática, com o confinamento e todas as mudanças de nosso cotidiano e da maneira de conduzirmos nossos negócios, estamos, por necessidade, modificando a forma como nos comunicamos e consequentemente nossa linguagem e visão de mundo. 

Como CEO de uma empresa de IA e Analytics, meu cotidiano antes do confinamento, era me encontrar com executivos, especialistas, investidores e outras lideranças em sua grande maioria em reuniões presenciais. Haviam reuniões remotas, as “calls” como se fala no meio, mas essas eram apenas discussões secundárias ou técnicas, os acordos, contratos e decisões mais profundas sempre aconteciam no olho-no-olho seguido de um aperto forte de mãos.  

Nas últimas três semanas, tais reuniões tiverem que ser “digitalizadas”, algumas pessoas que nunca havia visto por uma tela de computador, agora as vi, lutando para descobrir onde se colocava o microfone do mudo ou se compartilhava um documento para os participantes. 

Recentemente, o Congresso Brasileiro aprovou a chamada Telemedicina, que permite médicos e pacientes se reunirem virtualmente para uma consulta médica. Eu, e muitos colegas da área nos questionamos a anos, por quê não era possível uma consulta médica via conferência remota  mesmo contando um uma infinidades de ferramentas como Skype, Hangouts, Zoom, Whereby, entre várias outras? 

Em minhas últimas consultas, o máximo de contato entre eu e o médico foi para auscultar meu coração (quando acontecia), na sua grande maioria, o médico me prescrevia uma autorização para fazer os exames de laboratório de rotina, os quais na consulta de retorno, ele interpretava os resultados, dando alguns conselhos. Ambos os casos, isso poderia ser feito de forma remota, por um e-mail, e nunca foi, apenas a visita ao laboratório, realmente deveria exigir minha presença física, por ora.

Mas por que isso nunca mudou?  

Porque sempre foi assim, e a mudança de um hábito exige uma grande quantidade de energia, e como seres que evoluímos a partir de um ambiente (nos primórdios de nossa espécie) que exigia que o máximo de energia fosse economizada, mudar é um exercício custoso do ponto de vista psicológico, fisiológico e sociológico.

As mudanças de hábitos, rotinas e processos causadas pela pandemia estão motivando transformações que estavam latentes em nossas cabeças, empresas, instituições e sociedade até então.  

Gostaria de reforçar que se eu pudesse, sinceramente, gostaria que nada disso estivesse acontecendo, mas como não tenho o poder de mudar o passado, como seguidor da filosofia estóica, prefiro colocar todo o meu foco e energia naquilo que realmente pode ser mudado a partir dos recursos disponíveis. 

Dado o contexto estabelecido, as tecnologias que sempre estiveram disponíveis ou que estão em desenvolvimento, sofrerão dois grandes impactos: 

  1. Adoção acelerada por meio do aprendizado prático e motivado; e
  2. Evolução acelerada promovida pelas necessidades criadas pela adoção em massa. 

No decorrer do texto entenderemos melhor como estes dois grandes impactos operarão.

As tecnologias impactadas

A seguir, algumas tecnologias da Indústria 4.0 que acredito que sofrerão o duplo impacto

Impressão 3D 

O uso de tecnologias aditivas, se mostram instrumentais para a criação de componentes para as mais diversas áreas, sendo uma opção viável frente ao fechamento das fábricas. 

O isolamento social está nos obrigando a olhar para alternativas de manufatura local, versátil e em larga escala de produtos que começam a fazer falta como respiradores mecânicos, máscaras de proteção e equipamentos de apoio médico. 

Esses são alguns exemplos que hoje tem ajudado aos nossos médicos salvarem vidas em suas longas jornadas, mas logo produtos mais mundanos como utensílios domésticos, peças automotivas, de computadores e smartphones podem começar a faltar, por conta do fechamento dos parques fabris, e estes possam ser supridos por estas pequenas fábricas portáteis que agora estão sobre forte pressão evolutiva. 

Aqui alguns exemplos do uso dessa tecnologia no combate à pandemia:

Teletrabalho e Telemedicina 

Profissionais de TI são acostumados com o trabalho remoto, em 2004 tive a oportunidade de trabalhar com times remotos com programadores e analistas dos EUA, Canadá, Índia e Alemanha, foram alguns anos trabalhando com pessoas e produzindo software para fábricas, governos, companhias áreas e empresas de telecom. Sei que os softwares que ajudei a produzir estão em operação até hoje e aquelas pessoas que pude interagir e desenvolver laços, muitos nunca tive a oportunidade de encontrar frente-à-frente. 

Da mesma maneira que o time que eu fazia parte criou produtos e serviços úteis até hoje, áreas como medicina, psicologia, direito, política, gestão, bancos, engenharia, educação estão tirando proveito das tecnologias criadas para esse fim, e as adaptando para suas necessidades (evolução acelerada). 

Em especial a Telemedicina, é a mais promissora nesse momento, aplicativos médicos, consultas remotas, diagnóstico via sensores de um celular, smartwatch ou laptop não são mais um projeto ou sonho, são realidade, e muitas vezes, a única forma de ter acesso à medicina para muitos.

Fazendas inteligentes

Costumo assistir ao Globo Rural nos domingos pela manhã, é um hábito antigo e prazeroso pela mensagem otimista e a sensação de estar em casa que o programa proporciona.  

No penúltimo domingo, dia 29/03, notei um tom que nunca havia visto nos vários anos ouvindo o Luzeiro de Almir Sater na icônica abertura do programa.  

A edição especial sobre o Novo Coronavírus, mostrou um clima de preocupação seríssimo sobre o futuro do trabalho no campo. 

Recentemente tenho participado de eventos apresentando tecnologias para o chamado Agro 4.0, que se trata do uso das tecnologias da Indústria 4.0 aplicadas ao campo. 

Há alguns meses tive a oportunidade de visitar a Usina São Martinho, próximo a São Carlos no interior de SP. Lá conheci a rede rural 4G de telefonia e internet que a própria usina desenvolveu em conjunto com empresas e universidades para dar cobertura em suas propriedades. 

O principal vetor da digitalização é a conectividade, iniciativas como a da Usina São Martinho, deveriam ser replicadas em todo o nosso território nacional, fornecendo uma oportunidade para que nossos Trabalhadores do Campo tenham acesso aos diversos serviços digitais que estão sendo acelerados e criados. 

Talvez nunca será possível virtualizar o trabalho do campo, mas sim, será possível digitalizar, enriquecer e apoiá-lo com tudo que a tecnologia pode oferecer. 

Por exemplo, com o uso de uma cobertura 4/5G de internet e aplicativos de celular é possível criar bolsões de isolamento no campo, ou seja, famílias e comunidades inteiras podem criar cercas virtuais que permitam que estes trabalhadores possam continuar suas atividades coletivas sem a contaminação de grupos externos por meio da tecnologia que delimita o espaço de isolamento. 

Por meio de serviços bancários, governamentais, cartorários (substituídos por autenticações eletrônicas e blockchain), e-commerce e cadeia puxada inteligente de logística, esses profissionais tão importantes para nossa subsistência, poderão não só dar continuidade em seus trabalhos, como terão o benefício da otimização de processos e acesso a mercados e oportunidades criados por esses novos meios. 

Fábricas inteligentes 

Muitos de nossos clientes são de setores fabris, entre eles: indústrias automotivas, aeroespaciais, alimentícias e bebidas. 

Conversando com gerentes de fábrica, diretores, VPs e CEOs, percebi que para muitas dessas fábricas o impacto não está na  falta de automação (muitos possuem fábricas altamente automatizadas) o impacto está na falta de REMOTIZAÇÃO

O que quero dizer por REMOTIZAÇÃO?  

Robôs, esteiras, fresas, tornos, linhas inteiras de produção, funcionam praticamente de forma autônoma nos dias de hoje. Entretanto, todos seus sistemas foram concebidos para serem controlados e supervisionados manualmente e presencialmente. 

Por exemplo, uma indústria de papel moderna, desde a entrada das toras de eucalipto até a saída da bobina de papel finalizada, praticamente todo o processo é automático. Para quem já teve a oportunidade de visitar uma fábrica dessas, deve ter notado que os engenheiros e técnicos trabalham em salas de vidro adjuntas às linhas de produção. 

Essas salas de comando e controle, poderiam facilmente ser operadas à distância pelo staff responsável. Ficando para o trabalho presencial atividades estritamente extraordinárias de manutenção e expansão. 

As próprias atividades de manutenção podem ser reduzidas pelo uso de Inteligência Artificial na predição (saber antes de incidente acontecer) e na prescrição (o que fazer de forma cirúrgica quando um incidente acontece). 

Outras atividades de supervisão podem também ser automatizadas ou assistidas por IA permitindo que operadores e supervisores possa efetuar suas obrigações de forma remota.

IA

A Inteligência Artificial em conjunto com o Analytics fornecerão a inteligência complementar à inteligência coletiva estabelecida pela REMOTIZAÇÃO.

Profissionais como médicos, engenheiros, professores, advogados, políticos, administradores, entre outros, continuarão e ter seu espaço, e agora mais que nunca, suas habilidades nos ajudarão a sair de uma das maiores crises vividas na atualidade. 

Entretanto, com a remotização, atividades que demandam atenção extrema e resposta imediata, poderão ser comprometidas pelo tempo de resposta das redes e questões inerente ao trabalho remoto.

Nessas situações a IA poderá fornecer uma resposta rápida para situações que necessitavam de forte supervisão humana como: monitoramento de máquinas em chão de fábrica, monitoramento de sinais vitais de pacientes remotos, transporte autônomo de cargas, encomendas e logística agrícola.

Certa vez, em um congresso um executivo me perguntou: — o que nós temos que a IA demorará ou talvez nunca alcance? Eu respondi: criatividade e intuição.

IAs são particularmente úteis e eficientes na automação de atividade repetitivas com um poder moderado de tomada de decisão e criação.

Mesmo a chamada computação criativa, possui grandes limitações e são restritas a aplicações muito específicas, necessitando de grande intervenção humana para produzir coisas úteis.

A IA já tem nos ajudado, em várias tarefas que hoje nem nos damos conta, na faculdade um professor me disse:

“Quando a IA se torna útil, ela deixa de ser IA e ganha outro nome”

Prof. Dr. Luiz Maia- UFSC

Hoje, nossos celulares laptops estão repletos de uso IA, como sistemas de busca inteligente, troca de fundos da câmera, foco, ajustes, assistentes virtuais, reconhecimento de objetos, entre outros.

Além das funções que já desfrutamos, existem um imenso novo horizonte de possibilidades de uso da IA em meio a pandemia e além dela.

Aplicações, muito controversas, mas viáveis como: o uso de IA no diagnóstico e tratamento de doenças. Hoje com a sobrecarga do sistema de saúde, agentes virtuais poderiam ajudar as pessoas com cuidados primários, para aqueles que contraíram a COVID-19 mas não precisam de internação, bem como outras doenças que possuem um tratamento relativamente sem complexidade.

Menos controversa: usar IA para melhor estabelecer os modelos predição de leitos e a logística Hospitalar. Hoje na Aquarela estamos trabalhando em conjunto com um dos maiores Hospitais de SP para isso.

Dentro da seara de otimização logística, a IA pode ajudar virtualmente em todos os setores incluindo a própria área de saúde, passando pelas indústrias manufatureiras, agro  e estabelecimento dos fluxos urbanos para criar bolsões virtuais de isolamento (criando grupos que não se encontram) pela otimização da distribuição de passageiros de transporte público e acesso à áreas públicas por meio da coordenação via aplicativos em smartphones.

Considerações sobre o duplo impacto

A partir das duas premissas criadas pelo novo “normal” que vivemos hoje e continuaremos vivendo por um período de tempo ainda não determinado:

  1. Adoção acelerada por meio do aprendizado prático e motivado; e
  2. Evolução acelerada promovida pelas necessidades criadas pela adoção em massa.

Entende-do que a situação que vivemos é temporária, entretanto as experiências, vivências, criações e mudanças derivadas desse período durarão para muito além da pandemia da COVID-19.

Entendendo que crises como essa são gatilhos de profunda mudança social, política, tecnológica, e de pensamento, as chamadas mudanças (ou virada) de paradigma.

Em nossa história, vivemos outros momentos de viradas de paradigma como: as grandes guerras mundiais; outras pandemias como da peste negra, gripe espanhola; a queda da Bastilha; a abolição da escravidão; entre outras. 

Esses momentos históricos tiveram situações temporárias, doenças, guerras e rebeliões que produziram novos vocabulários, mudanças de pensamentos, hábitos, leis e tecnologias; que mesmo após o fim das guerras, da cura das doenças e do fim das rebeliões, perduram até os dias de hoje e provavelmente nos acompanharão até as próximas mudanças de paradigma por vir e/ou além.

Com isso em mente, sabemos que o mundo não mais será o mesmo após passarmos pela COVID-19, e que em momentos de virada de paradigma, o instinto de sobrevivência sobrepõe aos instintos de preservação de energia, e assim aceleramos a adoção de novos modos de viver, processos e tecnologias.

Espero que este artigo jogue um pouco de luz sobre o tema e traga uma visão otimista do que podemos fazer imediatamente para lidar com esse desafio de proporções globais.

Para finalizar, gostaria de fazer um chamado a todos que usem aquilo que nos faz mais humanos: nossa criatividade, intuição aliado a isso, nossa compaixão e energia em buscar e implementar as mudanças necessárias para que juntos consigamos sair mais fortes e humanos do que entramos nessa crise.

O que é a web 3.0? Qual sua importância para os negócios?

O que é a web 3.0? Qual sua importância para os negócios?

Saudações a todos!

A cada dia o volume de dados e informações na internet cresce exponencialmente, surgindo uma infinidade de novos sites, imagens e vídeos. Com esta enorme e crescente quantidade de informação sendo disponibilizada constantemente na rede, um dos grandes desafios é extrair o que há de relevante para nosso trabalho e nosso dia-a-dia. É nesse contexto que Web 3.0 e suas ferramentas se mostram valiosas, servindo para a melhor organização da informação.

Desde o surgimento da primeira versão da Web, criada no início da década de 90 por Tim Berners-Lee na Suíça, suas tecnologias sofreram significativas evoluções, principalmente na interatividade com o usuário e na massificação da utilização da rede. De forma bastante resumida a história da web se deu em três fases importantes até o momento:

  • A Web 1.0 apresentava dados e informações de forma predominantemente estáticas, era caracterizada pela baixa interação do usuário, permitindo pouco ou nenhuma interação – como por exemplo – deixar comentários ou manipular e criar conteúdos. As tecnologias e métodos da Web 1.0 ainda são utilizadas para a exibição de conteúdos como leis e manuais, como neste link. Essa geração da Web foi marcada pela produção centralizada de conteúdos – como os portais, UOL, ZAZ, Terra AOL e os diretórios, Yahoo, Cadê e Craigslist. Nestes portais e diretórios, o usuário era responsável pela navegação e localização de conteúdos relevantes por sua própria conta, tendo, predominantemente uma atuação passiva em um processo onde poucos produzem e muitos consomem, algo muito parecido com o modelo de broadcasting da industria midiática como as TVs, rádios, jornais e revistas. Sua grande virtude foi a democratização do acesso à informação.
  • A Web 2.0 em contraste à Web 1.0, tem seu conteúdo gerado predominantemente por seus usuários em um processo onde muitos produzem e todos consomem. Um exemplo desse modelo está na Wikipédia. Outros exemplos de plataformas de conteúdo gerado pelos usuários estão nos blogs, nas redes sociais e no Youtube. Na Web 2.0 o usuário deixa de ser apenas consumidor e se torna um produtor, ou coprodutor. Nesta versão, os mecanismos de busca se tornam mais avançados e proliferam, uma vez que não há mais espaço para listas de links em diretórios, dado o imenso volume de conteúdo. A grande virtude da Web 2.0 está na democratização da produção de conteúdo.
  • A Web 3.0 ou Web Semântica reúne as virtudes da Web 1.0 e 2.0 adicionando a inteligência das máquinas. Em 2001 Tim-Berners Lee, o criador da Web, apresenta um artigo na revista Scientific American estabelecendo os pilares para a Web Semântica. No texto, Berners-Lee explica como dois irmãos combinam a logística do tratamento que a mãe deles precisava fazer. Nessa estória, os irmãos usando agentes inteligentes fazem todo o planejamento do tratamento, incluindo a marcação das consultas e a escala de caronas que os dois deveriam revezar, os agentes interagem com os sistemas das clínicas, entre si e com os dispositivos da casa. Na Web 3.0, as máquinas se unem aos usuários na produção de conteúdo e na tomada de ações, tornando a infraestrutura da internet, de coadjuvante para protagonista na geração de conteúdos e processos. Assim, os serviços da Web 3.0, unem-se aos usuários e aos produtores profissionais na criação ativa de conhecimento. Dessa forma, com sua grande capacidade de processamento, a Web 3.0 é capaz de trazer para as pessoas e para as empresas, serviços e produtos com alto valor agregado por conta da sua assertividade e alta personalização, promovendo assim, a democratização da capacidade de ação e conhecimento, que antes só estava acessível às empresas e aos governos.

Comparativo da Web 3.0 com as gerações anteriores

Exemplos da Web 3.0

Alguns exemplos de aplicações da Web 3.0 estão no Wolfram Alfa e na Siri da Apple: estes dois aplicativos conseguem resumir grandes quantidades de informações em conhecimento e ações úteis para as pessoas. Para entender melhor a diferença entre a Web 2.0 e a 3.0, podemos fazer um pequeno comparativo entre o Wolfram Alfa e o Google, usando as duas ferramentas, digitando a frase “Brasil vs Argentina” em ambos buscadores, vemos a diferença nos resultados, veja na figura abaixo:

Comparativo Google e Wofram Alpha como exemplo de Web 3.0

No caso do Google, os resultados são voltados aos conteúdos mais frequentes, enfatizando os jogos entre Brasil e Argentina. Nota-se que a palavra “futebol” ou “jogos” não foram mencionadas na busca. No resultado do Wolfram Alpha, a ferramenta entende que a busca se trata de uma comparação entre os dois países e, consequentemente retorna dados estatísticos, históricos, geográficos (mapas), demográficos, linguísticos entre outros aspectos úteis de comparação.

A Siri da Apple, por sua vez, usa técnicas de reconhecimento de voz e inteligência artificial para trazer resultados e efetuar ações, como por exemplo: “onde fica a pizzaria mais próxima?”, “estou a quantos quilômetros do próximo posto de gasolina” ou ainda “marque uma reunião para às 15h00 amanhã”.

Buscadores  da Web 1.0 e 2.0 fazem uma espécie de pesquisa “cara-crachá” do texto em relação ao que existe publicado na rede, muitas vezes com o viés do que é mais abundante, acabando, em muitos casos, por não trazer o que é mais relevante para o usuário naquele momento. Já os sistemas que operam nos padrões Web 3.0 buscam conhecimento contextualizado para auxiliar as pessoas em suas tarefas, apontando uma série de possibilidades de análise e informações relevantes. Uma das distinções dos buscadores da Web 3.0, com relação aos da Web 1.0 e 2.0, está no tempo que usuário pode gastar navegando em um mar de informações até realmente encontrar o que ele realmente procurava.

Empresas como Apple e IBM vêm investindo pesado em tecnologias da Web 3.0, por exemplo, a Google Inc. na última década fez várias aquisições de empresas que trabalham com as tecnologias da Web Semântica, como por exemplo a Applied Semantics, e a Metaweb Technologies, Inc, entre outras.

Conclusões

Lembrando que o conhecimento é a informação justificada e contextualizada capaz de mudar algo ou alguém, o que pode ser traduzido como capacidade de ação, entendemos que a Web começa a trazer conhecimento capaz de promover mudanças em larga escala, assim, levando para as pessoas, organizações e empresas a democratização da capacidade de ação e conhecimento em uma magnitude muito maior se comparada com o que foi alcançado com as Web 1.0 e 2.0.

A Web 3.0 surge de maneira gradual, tal qual foi da versão 1.0 para a 2.0, se encaminhando para um ambiente mais dinâmico onde o conhecimento em ação pode acelerar exponencialmente negócios em praticamente todas as áreas, indo do varejo à medicina molecular aplicada, de empresas individuais às grandes corporações.

Vale a pena aos inovadores, sejam eles empresários, políticos ou pesquisadores, entender mais sobre esse novo horizonte de possibilidades e estarem preparados para a nova geração de negócios. Uma vez que a Web 3.0 é a continuidade da Web como a conhecemos, não estar preparado para ela é perder espaço competitivo e vital para as empresas e instituições,  correndo o risco de se tornarem obsoletas e perderem relevância no momento da virada de paradigma, assim como aconteceu com gigantes do passado como Kodak,  Nokia e Altavista, que em seus mercados, não se modernizaram em tempo.

Nos próximos posts falaremos quais e como tais ferramentas podem ser usadas pelas empresas na aceleração de seus negócios e também entender o caminho que a Web 3.0 está trilhando por meio do Big Data e dos dados abertos e ligados (LOD – Linked and Open Data).

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