Nos dias 18, 19 e 20 de Outubro de 2019 aconteceu o maior hackathon do mundo. O NASA Space Apps Challenge, que aconteceu simultaneamente em 200 cidades de 80 países, desafiou 29 mil pessoas a desenvolver soluções para desafios propostos pela agência, tudo isso a partir dos dados públicos e gratuitos da NASA. 

Este projeto traz a oportunidade de estudarmos e desenvolvermos soluções a partir de dados altamente complexos e bem catalogados. Por isso, nós não poderíamos ficar de fora. Junto a nossos parceiros Embraer e Atech, criamos um time que reuniu engenheiros e cientistas de dados das três empresas para participar da edição que aconteceu na cidade de São Paulo. E neste artigo trazemos um pouco sobre como foi a experiência de desenvolver uma solução que pode impactar milhares de vidas, em apenas 48 horas, boa leitura!

O que é o NASA Space Apps Challenge

Criado em 2012, o Hackathon tem o intuito de estimular a utilização da grande quantidade de dados gerados pela NASA. Estes dados compreendem informações sobre a terra e o espaço, e muito disso é disponibilizado de forma pública e gratuita. 

Ao todo são 25 desafios divididos em 5 categorias, mais uma categoria livre. Cada equipe deve escolher um desafio para propor uma solução e implementar um MVP, e isso tudo deve ocorrer dentro de 48 horas. Os projetos foram avaliados da seguinte forma:

  • Nos dias 19 e 20 (sábado e domingo) devem ocorrer 3 entregas: de negócio, design e tecnologia.
  • As 10 equipes classificadas a partir destas três entregas fazem um pitch para a banca avaliadora, que então define o pódio do hackathon.

O desafio – From Curious Minds come Helping Hands

A equipe foi formada por cientistas de dados, desenvolvedores e engenheiros da Aquarela, Embraer e Atech, que escolheram trabalhar no desafio From Curious Minds Come Helping Hands (De mentes curiosas surgem mãos que ajudam).

O desafio consistia em elaborar uma plataforma que integrasse informações de satélites para identificar populações que estão em situação de risco. Diferente da maioria dos hackathons, os desafios do Space Apps Challenge são revelados antes do início da competição, devido à complexidade e grau de exigência do desafio. Dessa forma, a equipe chegou em São Paulo já sabendo qual seria o desafio a ser enfrentado. 

A partir da temática escolhida, a equipe desenvolveu o MVP de uma ferramenta que detecta e prevê enchentes em países africanos, especificamente a Tanzânia. A escolha deste país se deu pelo fato de que um dos membros da equipe tem contato com um conhecido que vive lá, e este compartilhou as dores que a população local sofre com enchentes. Inclusive, este contato havia perdido o melhor amigo em uma enchente na cidade de Arusha.

A solução – Human+AId

O projeto foi batizado de Human+AId, pois o objetivo da equipe foi criar uma plataforma para auxiliar tanto as pessoas nas áreas de risco quanto as organizações responsáveis pela execução do atendimento de emergência.

Outra funcionalidade é possibilitar que as informações geradas ao longo dos atendimentos sejam armazenadas, de modo a possibilitar que o conhecimento das pessoas que atuam nessas situações (inteligência coletiva) seja utilizado para geração de uma inteligência artificial que, futuramente, atue na recomendação de boas práticas de acordo com as circunstâncias.

Membros da equipe formada por colaboradores da Aquarela, Embraer e Atech

A ideia foi utilizar dados em tempo real sobre eventos (chuvas, tempestades, incêndios, etc.) que são detectados pelos satélites da NASA, junto com mapas sobre a superfície de água do planeta. Em outras palavras, detectar onde há uma chuva forte e, sabendo para onde a água vai a partir daquele ponto, é possível identificar se há no percurso algum local que possa inundar. Deste modo, estima-se as zonas de risco e as zonas seguras. A imagem abaixo mostra como as zonas de risco (vermelha) e de segurança (verde) são plotadas no mapa.

Áreas de risco em vermelho, áreas seguras em verde.

Mas a pergunta que fica é a seguinte: E o que fazer com as pessoas que estão na zona de risco? A solução foi: a partir do momento que a autoridade responsável pela área (prefeitura, por exemplo) quiser, é disparado via SMS (ou redes sociais) o link de um aplicativo web que indica o caminho que a pessoa deve fazer para sair da zona de perigo.  

Tela do aplicativo que indica a direção para as áreas seguras.

O esforço, empenho e qualidade das entregas da equipe foi reconhecido pelo time de jurados, e fomos classificados entre os 10 finalistas do evento, para depois do pitch, a equipe Human+AId receber o prêmio de 2º Lugar no Space Apps Challenge São Paulo. 

Equipe 27, 2º Lugar no Space Apps Challenge São Paulo. 

O clima do evento é uma mistura de Startup Weekend com Hackathon, e resulta em um ambiente de muita criatividade e empenho dos participantes, onde o maior resultado do evento é a integração entre as pessoas trabalhando para criarem a validarem ideias que podem impactar o mundo.